Depois de umas boas 8 horas mergulhada intensamente no Photoshop, enfim, este foi o resultado. Acho que foi a ilustração mais colorida que eu já fiz, e, isso mostra que aos poucos estou me libertando da cromofobia que eu tinha na época da faculdade. Só era feliz com os trabalhos em preto e branco, tons de cinza ou, no máximo, monocromáticos. Enquanto eu fazia as cores desta ilustração eu sorri. E fiquei bem feliz com o resultado.

As influências e inspirações são claras. Já vou dizendo… Sou fã das cores e das formas do Weberson Santiago e também, sempre, claro, das curvas de Alphonse Mucha.

A ilustração fará parte da exposição da Pandora Escola de Arte, junto com trabalhos de outros grandes feras do traço.

Exposição – Tema: Internet

17 de Dezembro, às 20h00

IBE/FGV

Rua José Paulino, 1369 – Centro – Campinas / SP

Gostaria de compartilhar com vocês o desenvolvimento de uma ilustração que fiz para a exposição da Pandora Escola de Arte  com o tema “Internet”.

Assim que soube do tema já sabia que ia fazer um doodle, simplesmente porque sou apaixonada por essa brincadeirinha que o Google faz com seu logo (quem quiser revisitar alguns, neste site tem a galeria com todos eles).

Na maioria das vezes, o doodle é criado para celebrar feriados, aniversários, ou homenagear pessoas marcantes da história.

Decidi, então, fazer uma homenagem à escola, usando a figura mitológica grega Pandora.


Este foi o primeiro estudo que fiz. Pensei que toda a forma curva do “g” minúsculo poderia ser representado pela figura principal na ilustração. Além disso, vi também que era uma posição privilegiada pra ela, na composição. A caixa de Pandora, optei por fazer semelhante a um jarro, pra se aproximar da figura de um dos “os”. O outro “o” seria feito com uma cobra saindo da caixa, o “l” eu resolveria com fumaças. E o “e”? Não estava feliz com aqueles 2 crânios bem ali…

Coloquei uma segunda cobra no lugar e achei que ficou bem melhor. Os crânios foram pra um outro lugar, de menos importância.

Pesquisei sobre alguns penteados gregos (muito bonitos, por sinal), roupas, e o desenho foi ganhando mais detalhes.

Estava pensando em como iria finalizar. Não sabia se escaneava e ia direto pro Photoshop, não sabia se começava a colorir direto com guache, aquarela ou tinta à óleo. Geralmente o desenho me diz o que tem que ser usado. Esse não disse nada e me deixou muito em dúvida.

Finalizar com naquim e pincel! Será? Puxa, há muito tempo não fazia isso… Há uns 6 anos atrás tinha uma firmeza absurda na mão, eu era a arte-finalista de vários desenhos de amigos, mas de uns tempos pra cá adquiri um quase mal de Alzheimer que roubou esse meu talento… Heheh. Acho que foram os vícios por café e chocolate.

Enfim, decidi arriscar. Antes, porém, decidi ser esperta e escanear o desenho.

O resultado? Ah… Acho que estou curada (mesmo mantendo os vícios). Foi lindo. Deu tudo certo. Mas o processo é sempre mais divertido e, infelizmente, só fica com quem fez. Deveria ter filmado a arte-finalização… O pincel, o movimento, o cuidado, a tensão…

Enquanto as linhas iam ficando negras e ganhando volume, fui pensando nessa relação que a gente acaba tendo com o desenho quando se volta a ter esse contato manual. Talvez isso seja bem pessoal, mas pra mim foi diferente. Senti que o traço era mais meu,  participei efetivamente de todos eles. Nada foi por acaso. Tudo foi a partir de uma decisão, a qual não vinha com o ctrl+z.

Se eu queria o traço mais fino, teria que ser fino, do começo ao fim, constante,  porque não daria pra eu mudar depois. Dá pra imaginar esse sentimento?

Uma música vai tocando na sua cabeça dependendo da pressão que você aplica, dependendo do tamanho do traço e da quantidade de nanquim no pincel.

Interessante também foi o que o desenho, depois de arte-finalizado, se tornou pra mim. Não é o mesmo daquele que escaneei antes de finalizar, e nem o mesmo desta imagem digitalizada aí em cima, já terminado.  Só consigo lembrar do que eu senti no processo, olhando pro papel, a matéria do papel mesmo, pras marcas que ficaram do lápis, que o ctrl+l do photoshop apagou.

Ah, coloquei uns morcegos, viram? E o pássaro é a esperança.

Foi com um imenso prazer que participei desta exposição.  A equipe do CEDHU (Centro Nacional de Documentação, Pesquisa e Divulgação do Humor Gráfico de Piracicaba), primou pela qualidade de cada detalhe da mostra, inclusive nos bastidores. Preciso deixar clara a minha enorme satisfação desde o início do processo. No convite sem burocracias, esclarecimento de dúvidas e a eficiência no atendimento. Eu nem sabia o que dizer quando recebi um e-mail da equipe com a informação de que meus trabalhos já haviam sido entregues pelos Correios e que estavam bem! Isso é TÃO importante! A gente quase nem dorme direito quando começa a imaginar o que podem fazer com o nosso pacote durante o percurso. Obrigada, mais uma vez. Esse tipo de informação é sempre bem vindo, por mais desapego que a gente tenha com nossos trabalhos.

Claro que não parou por aí. Coquetel, montagem, molduras, catálogo… Tudo de muito bom gosto. Parabéns à equipe.

Os trabalhos que produzi para a exposição tiveram muita influência de Alphons Mucha e Egon Schiele e foram feitos com muito carinho, como sempre. Agradeço aos que compareceram na abertura e aqueles que não puderam ir podem acessar a galeria com todos os trabalhos: Exposição Batom, Lápis e TPM

Meus dois trabalhos na exposição

Um segredo: A equipe  está com um projeto de levar esse conjunto pra outro lugar, com uma nova abertura. Uma segunda chance pra quem perdeu!

Em breve, mais informações…

convite casacor

A convite da arquiteta Melissa, participo da 1a edição da Casa Cor em Campinas ao lado de outros artistas,  ilustradores e professores da escola de desenho Pandora. Estão expondo comigo Caio Yo, Ricardo Quintana, Mario Cau, Gabriela Mayla, Lucas Veríssimo, Eduardo Ferigato e Dimaz Restivo.

Visitem!

“Decidi-me a usar a topografia natural como uma superfície para a composição e os elementos de natureza encontrada  - minerais, vegetais – como materiais de organização plástica, tanto e quanto outro artista procura fazer sua composição com a tela, tintas e pincéis” (Roberto Burle Marx)

Homem-objeto / Cianotipia / 120cmx62cm

Homem-objeto / Cianotipia / 120cmx62cm

 Muitos já sabem do meu interesse sobre as marcas de passagens. Hoje acabo de concluir a segunda etapa da pesquisa; depois de ter abordado as marcas de desgaste através do atrito entre objeto e objeto, agora aproximo a nossa pele à superfície deles : Quais marcas teríamos em nosso corpo, caso a nossa pele se desgastasse como os objetos?

Depois de fotografar o modelo, as marcas são produzidas através  da interferência na película, é apresentado então o desgaste no registro do corpo onde há contato maior com os objetos ou com ele próprio.

O trabalho discute sobre a ação inexorável do tempo  e sobre nossa relação íntima e  dependente com o mundo dos objetos.

homem-objeto_01

Na verdade pretendia fazer mais impressões ontem, mas o sol não me ajudou. Hoje então, imposível, o céu está simplesmente branco, fechado.

Esse faz parte da série de 12 trabalhos sobre a segunda parte da pesquisa marcas de passagens, a qual trata da produção de marcas na película da fotografia, depois impressa por cianotipia.

O trabalho é sustentado pela idéia da aproximação da nossa pela com a superfície dos objetos.

"Suporte sobre suporte sobre suporte"

"Suporte sobre suporte sobre suporte"

“A partir de exercícios de observação e do interesse pelo signo “parede” e sua relação íntima e tradicional com a obra de arte, deu-se início à pesquisa sobre o uso desse elemento tão presente no meio em que estamos.

 No trabalho aqui apresentado, essa parede, que muitas vezes é mantida atrás da obra de arte, é trazida para frente e, o suporte que antes apenas sustentava a obra, agora é desenho e também suporte, ao mesmo tempo em que devolve-se a ela a sua função tradicional. A parede tornou-se, portanto, o suporte do suporte artístico do suporte do desenho.

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Minha participação no encontro, bem como minha presença na abertura, me deixaram algumas conclusões que serão relevantes (pelo menos até agora, dada a inconstância da arte contemporânea) para o meu entendimento sobre salões de arte.

Acredito que é uma organização que serve como forma de divulgar a pesquisa do artista, possibilita a interação entre o público, e, não posso deixar de dizer que fortalece o ego… é difícil admitir, mas lá no fundinho ficamos saltitando.  Não que participar de um salão seja o acontecimento do ano, mas, por culpa da educação no nosso país, a grande maioria dos brasileiros não entende o que é arte, nem sequer são despertados pelo interesse em entender (culpa da educação, claro! – logo mais escreverei um artigo sobre a tal educação… é que quando penso nisso me dá vontade de fugir pra outro planeta), mas é bom saber que alguém aposta no seu trabalho, pois, roubando uma frase de meu companheiro de todas as aventuras e também artista, Danilo Salvego, salões são loterias, nós artistas apostamos  neles e o júri aposta em nós. É… nem sempre, já que muitas vezes a seleção pode depender do estado de humor de cada um e de um bom trabalho desenvolvido em equipe.

Quanto ao encontro em Atibaia, tenho uma reclamação sobre o edital. Na verdade não só desse, mas muitos outros salões seguem ainda esse modelo categórico, esse em especial permitia: arte pública, pintura, gravura, escultura, desenho e fotografia. Ora, a arte contemporânea está além disso há muito tempo. Na arte moderna já acontecia o hibridismo, a descategorização da arte, a mistura de meios e linguagens. Fui obrigada então a categorizar meu trabalho como desenho. É desenho? Também.

Enfim, tinham muitos trabalhos bons na exposição (logo listarei aqui os quais eu também apostaria, os que lembro agora são Evando Prado e a dupla Bebaprafrente), mas a montagem deixou um pouco a desejar, pelo fator principal de não terem dado uma demão de tinta na parede. Estava suja e alguns trabalhos foram prejudicados por isso. O meu trabalho que, quando enviei era branquinho, lá estava com algumas marcas de dedo e tal…

Fora isso, o espaço da exposição (Centro de Convenções Victor Brecheret) é bacana, grande, com uma estrutura belíssima. Foi um prazer participar.

Estou ainda trabalhando nesse projeto da parede – junto com outros quinhentos mil projetos (rs). Estou produzindo mais 24 peças, está sendo legal, apesar de estar um pouco fora da minha pesquisa atual maior, sobre marcas de passagens.

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