Gostaria de compartilhar com vocês o desenvolvimento de uma ilustração que fiz para a exposição da Pandora Escola de Arte com o tema “Internet”.
Assim que soube do tema já sabia que ia fazer um doodle, simplesmente porque sou apaixonada por essa brincadeirinha que o Google faz com seu logo (quem quiser revisitar alguns, neste site tem a galeria com todos eles).
Na maioria das vezes, o doodle é criado para celebrar feriados, aniversários, ou homenagear pessoas marcantes da história.
Decidi, então, fazer uma homenagem à escola, usando a figura mitológica grega Pandora.

Este foi o primeiro estudo que fiz. Pensei que toda a forma curva do “g” minúsculo poderia ser representado pela figura principal na ilustração. Além disso, vi também que era uma posição privilegiada pra ela, na composição. A caixa de Pandora, optei por fazer semelhante a um jarro, pra se aproximar da figura de um dos “os”. O outro “o” seria feito com uma cobra saindo da caixa, o “l” eu resolveria com fumaças. E o “e”? Não estava feliz com aqueles 2 crânios bem ali…

Coloquei uma segunda cobra no lugar e achei que ficou bem melhor. Os crânios foram pra um outro lugar, de menos importância.
Pesquisei sobre alguns penteados gregos (muito bonitos, por sinal), roupas, e o desenho foi ganhando mais detalhes.
Estava pensando em como iria finalizar. Não sabia se escaneava e ia direto pro Photoshop, não sabia se começava a colorir direto com guache, aquarela ou tinta à óleo. Geralmente o desenho me diz o que tem que ser usado. Esse não disse nada e me deixou muito em dúvida.
Finalizar com naquim e pincel! Será? Puxa, há muito tempo não fazia isso… Há uns 6 anos atrás tinha uma firmeza absurda na mão, eu era a arte-finalista de vários desenhos de amigos, mas de uns tempos pra cá adquiri um quase mal de Alzheimer que roubou esse meu talento… Heheh. Acho que foram os vícios por café e chocolate.
Enfim, decidi arriscar. Antes, porém, decidi ser esperta e escanear o desenho.
O resultado? Ah… Acho que estou curada (mesmo mantendo os vícios). Foi lindo. Deu tudo certo. Mas o processo é sempre mais divertido e, infelizmente, só fica com quem fez. Deveria ter filmado a arte-finalização… O pincel, o movimento, o cuidado, a tensão…

Enquanto as linhas iam ficando negras e ganhando volume, fui pensando nessa relação que a gente acaba tendo com o desenho quando se volta a ter esse contato manual. Talvez isso seja bem pessoal, mas pra mim foi diferente. Senti que o traço era mais meu, participei efetivamente de todos eles. Nada foi por acaso. Tudo foi a partir de uma decisão, a qual não vinha com o ctrl+z.
Se eu queria o traço mais fino, teria que ser fino, do começo ao fim, constante, porque não daria pra eu mudar depois. Dá pra imaginar esse sentimento?
Uma música vai tocando na sua cabeça dependendo da pressão que você aplica, dependendo do tamanho do traço e da quantidade de nanquim no pincel.
Interessante também foi o que o desenho, depois de arte-finalizado, se tornou pra mim. Não é o mesmo daquele que escaneei antes de finalizar, e nem o mesmo desta imagem digitalizada aí em cima, já terminado. Só consigo lembrar do que eu senti no processo, olhando pro papel, a matéria do papel mesmo, pras marcas que ficaram do lápis, que o ctrl+l do photoshop apagou.
Ah, coloquei uns morcegos, viram? E o pássaro é a esperança.